31 de dezembro de 2010

Antônio Carlos

























Quero lhes apresentar, Antônio Carlos. Vagante como eu. Encontrei-o assobiando na Rua dos Passos. Conversador. Fã inestimável de Erasmo Carlos cantaria uma de suas canções a qualquer momento se solicitado. Solícito. Não se intimidou pela minha câmera, ou pelos clics que ela fazia. Pude, portanto, conversar e fotografar ao mesmo tempo. Flagrei esse instante pré-sorriso.
Feliz ano novo! Que venham mais olhares flanantes pela cidade....  As luzes e o colorido que você vê agora, nas ruas por onde anda, na casa onde mora”...(Erasmo, Roberto e Antônio Carlos..)

* postei mais fotos dessa saída no flickr.com/photos/lizvalente/

28 de dezembro de 2010

Homem sombra

























Tudo o que tenho a dizer sobre esse homem é que ele e a sombra dele formavam 
uma coisa só. Enquanto eu do outro lado da rua o observava, ele fazia poses para o sol.

22 de dezembro de 2010

Presença indesejada

 






















 
Entrada do morro do Rebenta Rabicho. Como pode-se ver é uma via estreita e, pra dificultar a minha vida, na calçada em frente ao beco tem um poste de luz impedindo que eu tirasse fotos mantendo a distância. Pois bem, no tempo em que gastei pra fazer as fotos recebi três advertências quanto ao feito.
  1. Um funcionário da prefeitura que estava por ali amigavelmente relatou que tinha gente me espreitando desconfiada.
  2.  Daí, um casal desceu o morro parou bem em minha frente e num tom não muito amigável perguntou o que eu estava fazendo ali. Não gostaram muito da minha resposta, voltaram a subir o morro pediram que não tirasse fotos deles.
  3. Um homem, bem chateado com a minha presença, insistiu que tirar fotos ali era proibido, disse que se eu o fotografasse seria crime. 
confesso que senti um pouco de medo em pleno dia um clima tão pesado, também não gostei tanto dos resultados. As fotos do beco todas trazem o estouro da minha tensão por me sentir vigiada.

20 de dezembro de 2010

Enfado


























A coisa mais incrível da cidade é que nela tem pessoas. Gente de todo o jeito.
Onde tem pessoas tem tudo o que pode-se esperar da vida: sentido. Mas esse senhor parece um pouco triste, dou-lhe razão. Onde tem pessoas também tem a segunda coisa mais esperada da vida: o cansaço. Já dizia o homem sábio em seu provérbio:
 “Porque na muita sabedoria há muito enfado; 
e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza.”
Ec.1.18

18 de dezembro de 2010

Um pouco mais de cor



























"faz parte" disse ele, "Tudo faz parte". 
Parece que ele compreendeu o que eu estava fazendo ali. 

Havia fotografado uma senhora que pasava pela rua carregando um saco enorme cheia de algo que parecia plástico. Caminhava encurvada, de fronte fechada por causa do sol. No rosto o cansaço do fim da tarde. A garotada, vendo tudo, logo relatou: "dona, a moça aqui fotografou ocê". A senhora com aquela vaidade simples de toda mulher sussurrou por entre os dentes "logo hoje, com essa sacola toda?"
Foi então que este homem simples, sentado à porta de sua casa, respondeu com voz de serenidade. 


Nota sobre mim: decidi deixar a cor inundar tudo. Também postei mais fotos dessa visita à Nova Viçosa no flick você pode acesar a galeria clicando aqui.

16 de dezembro de 2010

Uma tarde na Viçosa de lá

 


















Apareci de supetona numa rua do bairro Nova Viçosa, fica meio longe do centro mas a vida lá é vivida. Encontrei uma turma receptiva e dessa vez não pude ficar despercebida.. também com toda minha branqueleza e aquela máquina alienigena, o que eu estava pensando? 

Daí que eles estavam montando pipas e eu dei de curiosa..no meio do processo de montagem uma conversa solta como o vento qua soprava. Perguntei "com uma sacola plástica dá pra fazer quantas pipas?" Resposta rápida "duas.. mas no aperto faz três."
  
Primeira coisa que eu pensei: aqui as sacolas plásticas fazem falta.

13 de dezembro de 2010

contraste























Por que é, senhora, que você tem esse olhar assim tristonho?
Quisera eu te abraçar com minha câmera, mas o abraço quem ganhou fui eu, quando me destes esse retrato. Pudera, eu de fato lhe daria uma parte da minha alegria. 
No dia em que a gente vê um olhar assim, sem dizer nada, aprendemos muita coisa sobre o ser humano, ele sofre.

9 de dezembro de 2010

Sinhá


Os trilhos que passavam por essa terra cortam agora a raiz da gente
Mas não é coisa que se furta
A história fica é na alma
Pois fique sabendo sinhá, a força não falha quando a gente precisa
A esperança ‘ein vem do céu, pode por sua fé soterrada nisso
A esperança não falha em visitar os mais aperreados.
Segure esses papeis, eles apalpam suas mãos com dó
Segure esse olhar,
O olhar da gente é uma das poucas coisas que ainda nos restam ter.

7 de dezembro de 2010

Lugar de gestos estampados




Aquela mulher segura um guarda-chuva pra proteger a senhora do seu lado. Na foto não dá pra ver, mas de fato chove. Esse gesto estampa a minha vista e faz composição com as demais estamparias que desfilam pela rua, a começar com a calçada. Essa desfila com exuberância. 

* Pequena nota sobre a calçada: Ela leva as pessoas sem que elas sequer percebam, mas como estou aqui pra observar, vejo. Ela leva mesmo.

2 de dezembro de 2010

peixes ensacolados vigiam a rua

















Aquele homem lê, aquelas mulheres passam, peixes ensacolados vigiam tudo.
Aquela pessoa fala ao telefone. Clima de compras e distração, não pros peixes, pra eles, clima de serem comprados. Expandir o mundo pra um vaso de vidro. Será um feliz natal pra alguém, vai levar um peixe vigiador pra dentro de casa...

1 de dezembro de 2010

Passeio de Luz

















Fim de tarde, e a luz tem seu jeito de enquadrar as coisas.. entra pela janela e bate tão perfeitamente sobre nosso mural pendurado naquele lugar por mera coincidência. Depois ela bate em mim e diz algo como: observe-me. Quero sair de casa andar pelo meu bairro e ver ela nas esquinas.

Gentilezas à rua


















Um bairro afastado do centro da cidade. Estradinha de terra, quintal, poucos visinhos. Apesar de ser um lugar ermo as pessoas que moram ali parecem ter entendido o valor da rua, pois prestam gentilezas deixando-a verde, aconchegante e cênica.. quem não se sente convidadoa dar um passeio por ali?

25 de novembro de 2010

O culto cristão

Viçosa 05

 Igreja: é um lugar onde ajuntam pessoas. Sentam em bancos de madeira e olham todos para frente. Cantam, oram sempre de frente. Ouvem o pregador que fala sempre sobre o mesmo tema: Deus.

Hoje as janelas estão abertas, faz calor. Por ela entram sons a vulsos: carros, gente, coisas.

Aqui dentro o banco mais cheio tem 5 pessoas, e os primeiros bancos da frente não tem ninguém.

As pessoas ocupam-se em ouvir. Eu ouvi uma corneta, o som entrou pela mesma janela atravessou o salão e me acertou em cheio os ouvidos.

O pregador fala. Sua voz caminha por cada ouvido. Depois derrete o espaço do templo e escorre pelos corredores, fixa-se no piso. A ideia é que se fixe nas solas dos sapatos de todos os presentes e assim saia pelas ruas  de nossa cidade que agora chove.

A cidade dentro de casa

Viçosa 04




















Hoje eu vivi a cidade de dentro de casa. Não saí pra nada! Vi o clima se transformar pela janela.
Viver a cidade de dentro de casa é assim: individual.
Li sobre as percepções e impregnadas nos corpos das pessoas, “corpografias”. A cidade nos marca. Nos sela. Pertencemos a ela. Queiramos ou não. Daí fica o desafio: ler o mapa corporal, ler o corpo das pessoas e perceber a presença do urbano.

Hoje a  internet foi meu meio de encontrar pessoas e lugares. Foi minha janela para o urbano. Conversei com diferentes pessoas ao longo do dia. Sempre do lado de dentro de casa.

19 de novembro de 2010

preto breu

Estrada 01

Na noite escura o cenário é um breu e o caminho é a única coisa iluminada. O olhar observador vê onde a luz escorre nas laterais. Vê a grama, as valas, as casas, a beira. Vê manchar volumétricas no breu. Sutilezas. O observador é certo da presença delas. O motorista prende-se a enxergar o caminho. O observador transborda pelo espaço e mesmo quando não vê com os olhos, vê com seus sentidos, sabe, sente a viagem, transforma-se com ela. Sabe que está em movimento não só por causa da pista iluminada, mas também por tudo o que há alem dela.

18 de novembro de 2010

O cuidador da rua

Viçosa 03



















Um homem dava as ordens, vigiava tudo (senhor com as mãos na cintura). Outros, meros trabalhadores, tapavam meus buracos de céu na rua. Vi a seriedade desse homem, mas não por muito tempo, já que estava ali naquele momento de passagem. Fotografei secretamente com medo de que ele resolvesse dar ordens de me tapar também.

As ruas e seus buracos molhados

Viçosa 02


As ruas da minha cidade tem buracos. Quando chove enchem-se de água e luz. Gastei um tempo procurando poças e vendo coisas nelas. Beleza foi ver o céu na rua.

17 de novembro de 2010

Um banco de frente pra rua

Viçosa 02



A pergunta feita foi: "qual é o lugar da pessoa (indivíduo) no espaço urbano?".
Nesse exato momento estou sentada em uma pracinha do bairro de Ramos, a posição do banco induziu-me a sentar de costas pra praça e de frente pra rua. A cidade pulsa. Seu sangue é diluído composto de indivíduos que caminham em ritmos diversos pelas calçadas e ruas. As pessoas parecem treinadas, respeitam os limites dos caminhos. O que lhes move? Porque deslocam? Vejo expressões diversas em movimento.