19 de novembro de 2010

preto breu

Estrada 01

Na noite escura o cenário é um breu e o caminho é a única coisa iluminada. O olhar observador vê onde a luz escorre nas laterais. Vê a grama, as valas, as casas, a beira. Vê manchar volumétricas no breu. Sutilezas. O observador é certo da presença delas. O motorista prende-se a enxergar o caminho. O observador transborda pelo espaço e mesmo quando não vê com os olhos, vê com seus sentidos, sabe, sente a viagem, transforma-se com ela. Sabe que está em movimento não só por causa da pista iluminada, mas também por tudo o que há alem dela.

18 de novembro de 2010

O cuidador da rua

Viçosa 03



















Um homem dava as ordens, vigiava tudo (senhor com as mãos na cintura). Outros, meros trabalhadores, tapavam meus buracos de céu na rua. Vi a seriedade desse homem, mas não por muito tempo, já que estava ali naquele momento de passagem. Fotografei secretamente com medo de que ele resolvesse dar ordens de me tapar também.

As ruas e seus buracos molhados

Viçosa 02


As ruas da minha cidade tem buracos. Quando chove enchem-se de água e luz. Gastei um tempo procurando poças e vendo coisas nelas. Beleza foi ver o céu na rua.

17 de novembro de 2010

Um banco de frente pra rua

Viçosa 02



A pergunta feita foi: "qual é o lugar da pessoa (indivíduo) no espaço urbano?".
Nesse exato momento estou sentada em uma pracinha do bairro de Ramos, a posição do banco induziu-me a sentar de costas pra praça e de frente pra rua. A cidade pulsa. Seu sangue é diluído composto de indivíduos que caminham em ritmos diversos pelas calçadas e ruas. As pessoas parecem treinadas, respeitam os limites dos caminhos. O que lhes move? Porque deslocam? Vejo expressões diversas em movimento.