2 de dezembro de 2011

Tem arte na rua!

A verdade é que a rua é cheia de marcas.
São apropriações do espaço.
Apropriações propositais e estéticas.. existem outras formas, claro. 
Mas nesse dia eu saí a procura de pinturas urbanas.
Encontrei.
























28 de novembro de 2011

Espanto

hoje
 Passei novamente e tive que respirar fundo!
Onde foi parar meu Deus, aquele refugo verde, aquele respiro?
— O trator levou, moça, não se espante tanto, a cidade é assim mesmo, cresce desmatando as coisas.


ontem

9 de novembro de 2011

Eu também



No meio, bem no miolinho de uma cidade tão atropelada como a minha tem um terreno livre, que respira. Eu respiro também. Se olhar de perto no meio do mato nasceram flores, florzinhas na cor lilás que abrem quando faz sol, e fecham ao anoitecer. Eu fecho também, é novembro, mês da melancolia.

27 de outubro de 2011

Conversa imaginária



Caminhei bem devagarzinho por ali e percebi uma coisa: a rua estava torta de saudades. O trilho, coitado, foi engolido pela rua, mas ainda assim continuou sentindo a chuva desses dias atrás. Já a poça, meio de 'supetona', brilhava a cor do céu que hoje abriu sorriso pra toda gente que passa.

28 de junho de 2011

Outro balaústre


























As vezes a gente anda como se nada fosse importante. Outras vezes parece que até a calçada tá falando alguma coisa.E foi assim, seguindo a calçada que eu cheguei nesse lugar de preciosidade tal..Um balaústre escondido, sem fita, ou mesmo pintura pra valorizar.

25 de junho de 2011

21 de maio de 2011

Eu divago e sonho

Caminho de olhos vendados. Passo por cima de rios, camadas de concreto e arames dobrados. Passo por uma senhora que aguarda no ponto de ônibus, então cabeleireiros, farmácias e bares. Oras sinto medo, oras sinto liberdade, mas esse último é raro. Na maior parte tempo procuro olhar para o horizonte. Mas aqui têm muros que me forçam a olhar apenas para o óbvio, para a rua de pedras fincadas. Pedras. Fincadas. Meu Deus o que estamos fazendo? No lugar do campo estancado vemos muros. Muros, muros, muros. Muros que afirmam a todo tempo “isso é meu”.  Temos medo. Sim, medo da violência e da agressão. Mas mais do que isso, temos medo de sermos descobertos, de que nos vejam em nossa naturalidade hostil.

Agora ando só. Fecho os olhos para sentir a brisa no rosto sem dó. As vezes sinto ameaçada, as vezes sinto que sou a ameaça. Essa cidade cresce destruindo-se. Desmorona a vida para que novas vidas cresçam em deleite. E não temos tempo mais nem para conhecer até que fim a rua leva. Leva a algum lugar, só que agora não tenho tempo. Eu vou lá pra ver, e ela continua um pouco mais. Sigo o trilho, depois o chão batido, trechos em paralelepípedo e novamente pedra fincada. Pedras fincadas, de onde tiramos essa idéia?
 
As irregularidades são tantas. É sábado, tudo está quieto, exceto ali. Seguindo aquela rua tem um som alto e pessoas aglomeradas. Mas não vou. Continuo, vejo o menino soltando uma pipa branca de rabiola e tudo. Agora outro jogando futebol com seus compatriotas. Meu Deus esse lugar é de todo mundo, a rua é nossa! Nela o moço anda de bicicleta, e eles põem mesas e cadeiras pra conversar. Mas não é. Nela deixamos clara a nossa sujeira e falta de autocontrole. O moço deita porque bebeu demais. O lixo é nosso, as pilhas e pilhas de lixo são nossas. O lixo escorrendo no rio é daquela casa e daquela outra e daquelas lá na frente. O lixo empilhado no muro veio do prédio ao lado. O menino jogou um pedaço de papel e nem olhou pra ver. A rua, Deus, a rua não é mais de ninguém. 

Fico pensando porque me importar com tudo isso? Vejo uma escola e atrás dela um pasto queimado. Uma trilha subindo o pasto deixa claro que pessoas passam ali. Pessoas adultas e crianças a caminho da escola. Passam por ali para não passar pela rua, aí queimam o capim para deixar tudo cinza igual. Passam ali porque são apressadas, queimam porque dá na mesma. Que coisa, pedras fincadas e pastos queimados, a cidade fica se mostrando mesmo nas suas extremidades. Chego ao topo. Vista? Não, uma antena e mais uma casa murada. Dos dois lados cercas e muros.
 
Sigo em frente porque acho que me levará para casa. Vejo mais moradias, e mais sinais de capim queimado. Vejo pessoas conversando na calçada, e elas me vêm. Sou vista na rua, estou caminhando. Quero voltar pra casa e me esconder disso tudo, lembrar-me dos lugares sem pedras fincadas, sem lixo, sem muros. Meu Deus, quero voltar pra casa.

14 de maio de 2011

Folia de rua

 























Brincar na rua me leva ao vago senso da brasilidade. Vejo contrastes entre asfalto e chão batido, casas prontas e inacabadas. Ah! Minha terra de tanta fartura como pode faltar aqui e acolá? Como podemos ser cruéis e dizer que a culpa é de Deus? Como a gente vive deixando tudo pra lá? Ah! Minas, cê me faz pensar na dor que há na falta de justiça. Aqui na rua é tudo tão claro: aquele ali tem em excesso e aquele outro não tem nada. A dança que leva meu lamento embora, também me leva rua a fora.

6 de maio de 2011

Nosso jogo de de se perder



Meu primeiro vídeo-registro, espero que gostem.
Ficou muito experimental, mas acho que isso dá o clima de flanar mesmo..Eu e Bruno Menezes montamos um jogo conforme as oreintações do video do post anterior. A flanância foi feita no dia 4 de maio de 2011, nas redondezas do Hospital São Jõao Batisna no Município de Viçosa, MG.

3 de maio de 2011

Sugestão de se perder

Escolha uma regra para se perder.
Não tenha onde chegar, tenha apenas uma hora para parar.
Não vale levar um mapa, a não ser que seja um mapa de outro lugar.

30 de abril de 2011

Cristo divisor de bairros






























A cidade tem um monumento. Um Cristo concretado no alto do Morro do Pintinho. A vista principal é interrompida por um poste bem a frente. Mas a alusão é interessante. À direita do poste uma cidade de prédios acabados, à sua esquerda ladeiras estreitas e casas inacabadas. O Cristo de frente pro poste, recebe o sol em sua face. Na maior parte do dia projeta sombra numa região vazia da cidade, um mato denso ribanceira abaixo.

No caminho do Cristo, paramos para pedir direções, foi quando recebemos severas advertências sobre a falta de segurança aos pés do redentor. Que mundo estranho.

A tarde de céu azul contribiu para uma ótima tarde em vista dos contornos da cidade. A boa compania também.*

*Melina, Nathália, Stela

26 de março de 2011

Cidade encantada


A gente caminhando e outro mundo acontecendo nas paredes ao redor. Minhas calçadas são buraquentas, minha rua é mal iluminada, meus postes são antigos, mas minhas paredes tem histórias.

22 de março de 2011

Vitrine viva






































Aquela vitrine bruta foi invadida por uma fragilidade tal. Com muita sutileza e camuflagem, ela pousou ali, ao lado daquele amontoado de borracha. Pelo vidro fui flagrada em minha flanância. Mas não antes que eu flagrasse que algo diante de mim tinha vida. Algo pequenininho quase sem chamar atenção de ninguem me tomou por completo.

15 de março de 2011

Paisagem cultivada










Ela disse que o que ela mais gosta em seu apartamento é a tal vista. Fui ver. De fato uma riqueza de informações e formações morfológicas. De lá, vê-se os limites da apropriação urbana, ou seriam os limites da expansão do não-urbano? Aprendi uma coisa: uma paisagem bem cultivada cresce. Depois fiquei pensando sobre essa dicotomia urbano-não-urbano, um parece engolir o outro. O céu parece ser o lugar mais neutro por enquanto, só observando de cima. Será que o céu flana?

*Obrigada Daniela e Paulinho  por compartilharem comigo da sua paisagem.  

13 de março de 2011

Esteticamente irmãos



















Em calçadas diferentes, com fins diferentes com idéias em partes conflituosas. Locadas na mesma rua, na mesma escuridão da mesma noite. Refiro-me às frentes do bar Cachorrão do Rabicó e da Igreja Batista Pentecostal de Viçosa. Ambos os estabelecimentos abrigavam apenas uma pessoa naquele momento, ambos usam as mesmas cadeiras de plástico brancas e são iluminados por dentro com uma lâmpada fluorescente. Conceitualmente antagônicos, mas esteticamente irmãos.

11 de março de 2011

Pura fachada


















Coisa estranha é um prédio magro.
Era noite, mas estava tudo muito claro na minha percepção. Aquele prédio na beira da avenida era pura fachada. Quem o visse de frente até poderia acreditar em alguma coisa menos superficial, mas quem o visse de lado saberia. Circulei o objeto observado com certa objeção. Mais um produto da sociedade de absurdos, ela se produz em desdobramentos que a definem como tal.

25 de fevereiro de 2011

Vôo de pássaros


















Saí num exercício de flanar sem muito rumo e sem muita intenção. Vi pássaros. Vôo alto, em formação, no pleno céu da minha cidade. Pensei em como são muitas as dádivas naturais que meus olhos podem ver, senti feliz só de ter visto aquilo. Pra mim, já estava bom.

Uns dias depois (hoje) outra formação se deu só que dentro da minha sala. Apareceu exatamente como aquele vôo a toa que eu observara. Plainou em tom de história contada. A mesa  servida de pães de queijo com geléia  caseira de jabuticaba. Leite e pão com muita simplicidade. Os contos soaram da boca e da vida de um amigo desses que senta e conversa sem esquentar a cabeça. Vôo de pássaros, todo mundo sabe, não faz mal gosto a ninguém, é sempre bem-vindo aos olhos e ao coração. Pra mim, estava tudo muito bom.

24 de fevereiro de 2011

O sabor do paradoxo

de fora

de dentro
































É sonho de muita gente entrar por essas quatro pilastras. Refiro-me, é claro, a ingressar na Universidade Federal de Viçosa. Ser estudante ali, ser formado por aqueles docentes, poder afirmar “eu faço parte disso”. O problema é que apesar de parecer uma entrada larga, espaçosa, é na verdade um caminho estreito e seletivo. Eu fico impressionada com a quantidade de gente que vem de fora e a quantidade de gente daqui que fica de fora. Assim, as quatros pilastras, esse marco de uma grande entrada torna-se ao mesmo tempo uma amarga ironia. Suas palavras começam a soar cínicas. Só o fato de estar escrito em latim já cheira alguma coisa estranha. Mesmo na época em que eu mesma entrei por esse caminho largo-estreito já tinha degustado esse sabor. O sabor do paradoxo e a nítida sensação de que logo ali a cidade me aguardava. Hoje, Com meu diploma em mãos reflito no fato de que, ao contrário da Universidade Federal Viçosa, a cidade é para todos.