25 de fevereiro de 2011

Vôo de pássaros


















Saí num exercício de flanar sem muito rumo e sem muita intenção. Vi pássaros. Vôo alto, em formação, no pleno céu da minha cidade. Pensei em como são muitas as dádivas naturais que meus olhos podem ver, senti feliz só de ter visto aquilo. Pra mim, já estava bom.

Uns dias depois (hoje) outra formação se deu só que dentro da minha sala. Apareceu exatamente como aquele vôo a toa que eu observara. Plainou em tom de história contada. A mesa  servida de pães de queijo com geléia  caseira de jabuticaba. Leite e pão com muita simplicidade. Os contos soaram da boca e da vida de um amigo desses que senta e conversa sem esquentar a cabeça. Vôo de pássaros, todo mundo sabe, não faz mal gosto a ninguém, é sempre bem-vindo aos olhos e ao coração. Pra mim, estava tudo muito bom.

24 de fevereiro de 2011

O sabor do paradoxo

de fora

de dentro
































É sonho de muita gente entrar por essas quatro pilastras. Refiro-me, é claro, a ingressar na Universidade Federal de Viçosa. Ser estudante ali, ser formado por aqueles docentes, poder afirmar “eu faço parte disso”. O problema é que apesar de parecer uma entrada larga, espaçosa, é na verdade um caminho estreito e seletivo. Eu fico impressionada com a quantidade de gente que vem de fora e a quantidade de gente daqui que fica de fora. Assim, as quatros pilastras, esse marco de uma grande entrada torna-se ao mesmo tempo uma amarga ironia. Suas palavras começam a soar cínicas. Só o fato de estar escrito em latim já cheira alguma coisa estranha. Mesmo na época em que eu mesma entrei por esse caminho largo-estreito já tinha degustado esse sabor. O sabor do paradoxo e a nítida sensação de que logo ali a cidade me aguardava. Hoje, Com meu diploma em mãos reflito no fato de que, ao contrário da Universidade Federal Viçosa, a cidade é para todos.